Curitiba / PR - sexta-feira, 21 de julho de 2017

Cirurgia laparoscópica - Informações às pacientes

CIRURGIA LAPAROSCÓPICA

 

 

O advento da laparoscopia foi um grande marco que revolucionou a cirurgia moderna. Desde a descrição da primeira colecistectomia laparoscópica em 1987, por Phillipe Mouret (Lyon, França), as técnicas cirúrgicas e os equipamentos laparoscópicos têm evoluído continuamente, sendo que atualmente os cirurgiões podem acessar praticamente todos os órgãos do corpo humano com câmeras e monitores de vídeo.

Trata-se da cirurgia popularmente conhecida como cirurgia "a laser" ou "dos furinhos". Na realidade nada mais é do que a utilização de pinças especiais introduzidas por pequenos orifícios na pele ao invés da utilização das grandes incisões realizada no passado. Muitas pessoas acreditam que se trata de uma cirurgia "sem cortes", mas na verdade são necessários cortes da mesma forma. A única diferença é que os cortes são menores e todos os benefícios desta via de acesso cirúrgica são decorrentes da utilização desses cortes menores.

Resumidamente, a técnica cirúrgica consiste da insuflação de dióxido de carbono dentro da cavidade abdominal a fim de a expandir e criar um campo de trabalho para se realizar a cirurgia. Uma incisão de 10mm na região umbilical é realizada para a inserção de uma ótica conectada a uma câmera de vídeo. Outras incisões adicionais são realizadas para a introdução dos instrumentos cirúrgicos. O número de incisões depende do tipo de cirurgia proposta e da sua complexidade, mas habitualmente varia de 3 a 5.

Trata-se de uma via de acesso cirúrgica minimamente invasiva que tem os benefícios de menor trauma cirúrgico, menor sangramento intra-operatório, menos dor pós-operatória, diminuição da quantidade de analgésicos após a cirurgia, recuperação pós-operatória mais rápida com retorno precoce às atividades habituais e ao trabalho, e melhor efeito cosmético. 

Outra vantagem desta via de acesso é a redução da taxa de infecção. Isto ocorre porque os tecidos intra-abdominais não são expostos ao ar ambiente durante longos períodos de tempo, como ocorre quando o abdome é aberto em cirurgias tradicionais. A magnificação da imagem também oferece ao cirurgião melhor exposição dos órgãos doentes e suas estruturas adjacentes, vasos sangüíneos e nervos. Como resultado, manobras delicadas podem ser realizadas para proteger estruturas vitais durante a remoção ou o reparo dos órgãos doentes. Em mulheres, isto é muito importante, visto que a laparoscopia promove menor ocorrência de aderência pós-operatória, que é uma das causas de infertilidade feminina.

As desvantagens da laparoscopia incluem os custos dos equipamentos necessários para a sua realização e a necessidade de treinamento especial dos cirurgiões para a realização de procedimentos cirúrgicos mais complexos. Mesmo cirurgiões experientes e habilidosos em técnicas cirúrgicas abertas necessitam de treinamento especial para transferir todas as suas habilidades cirúrgicas para a técnica laparoscópica.

Hoje em dia praticamente todas a cirurgias ginecológicas podem ser realizadas por laparoscopia. As principais indicações incluem as doenças anexiais (cistos de ovário, dilatação das trompas, torção de ovário, gravidez ectópica, etc.), investigação de infertilidade, realização de laqueaduras, tratamento de endometriose leve a avançada, miomectomias, etc. A histerectomia (retirada do útero) também pode ser realizada com segurança por laparoscopia, assim como o tratamento de prolapsos de órgãos pélvicos (prolapso de útero, cistocele, retocele).

O futuro ainda está aberto para esta nova e revolucionária via de acesso cirúrgica. Novas gerações de cirurgiões ginecologistas têm realizado treinamento específico para este tipo de cirurgia, que tem um benefício incontestável às nossas pacientes.

 

 

 

 

 

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