Curitiba / PR - domingo, 19 de novembro de 2017

Miomas - Informações às pacientes

DEFINIÇÃO

Os miomas são tumores benignos (não cancerosos) originados do tecido muscular liso do útero. Também podem ser chamados de leiomiomas ou fibromas. De acordo com sua localização na parede uterina, podem ser divididos em subserosos (na superfície externa do útero), intramurais (dentro da parede muscular uterina) e submucosos (na superfície interna do útero).

Os miomas são muito freqüentes, sendo que pelo menos 25% das mulheres têm sinais de miomas que podem ser detectados por exame pélvico ou ultra-som; no entanto, nem todas as mulheres têm sintomas.

 

CAUSAS

Embora a exata causa dos miomas seja desconhecida, seu crescimento parece estar relacionado aos hormônios estrogênio e progesterona.

 

FATORES DE RISCO

Vários fatores influenciam o risco de desenvolvimento dos miomas, incluindo:

1. Etnia – são 3x mais freqüentes em mulheres negras;

2. Número de gestações – mulheres com uma ou mais gestações com duração superior a 5 meses têm um risco diminuído de desenvolver miomas;

3. Uso de anticoncepcionais – mulheres que utilizam pílulas anticoncepcionais têm um menor risco de desenvolver miomas; no entanto, mulheres que iniciam pílulas com idade entre 13 e 16 anos podem ter um risco aumentado;

 

SINTOMAS

A maioria dos miomas é pequeno e não causa nenhum sintoma. No entanto, muitas mulheres com miomas têm sangramento e/ou desconforto abdominal que pode interferir na qualidade de vida.

Os sintomas mais comuns são sangramento uterino aumentado, pressão em região pélvica e problemas relacionados à gravidez e fertilidade. A severidade dos sintomas está relacionada com o número, o tamanho e a localização dos miomas.

 

DIAGNÓSTICO

Os miomas são freqüentemente diagnosticados durante o exame ginecológico de rotina. O ginecologista pode sentir o útero aumentado e irregular durante o exame físico. O ultra-som pélvico confirma o diagnóstico e exclui outros tipos de massas em região pélvica.

Outros exames de imagem complementares são histerossalpingografia, histerossonografia e ressonância nuclear magnética.

 

TRATAMENTO

Mulheres que não têm sintomas geralmente não necessitam de tratamento. Mulheres com sintomas significativos podem tentar tratamento médico ou cirúrgico.

Tratamento clínico

1. Pílulas anticoncepcionais – contêm uma combinação de hormônios estrogênio e progesterona, que podem ser úteis na diminuição do sangramento menstrual aumentado associado aos miomas. As pílulas não reduzem o tamanho do mioma, portanto não são um tratamento efetivo para mulheres com pressão pélvica, dor ou infertilidade. As pílulas não são aprovadas pela FDA (Federal Drug Administration) nos Estados Unidos para o tratamento dos miomas.

2. Dispositivo intra-uterino (DIU) com levonorgestrel – pode reduzir significativamente o sangramento menstrual e fornecer uma forma de anticoncepção efetiva a longo-prazo (até 5 anos). O DIU com levonorgestrel não é aprovado pela FDA (Federal Drug Administration) nos Estados Unidos para o tratamento dos miomas.

3. Implantes, injeções e pílulas de progestogênio – os progestogênios reduzem a espessura da camada interna do útero (endométrio), reduzindo o sangramento menstrual. Podem ser utilizados diariamente sob a forma de pílulas, trimestralmente na forma de injeções ou a cada 3 anos na forma de implantes inseridos abaixo da pele. O uso dos progestogênios não é aprovado pela FDA (Federal Drug Administration) nos Estados Unidos para o tratamento dos miomas.

4. Agonistas do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) – tratamento clínico mais comum para os miomas. A maioria das mulheres pára de menstruar e tem uma redução significativa no tamanho dos miomas. Os efeitos colaterais deste tratamento incluem ondas de calor e sudorese noturna, similar aos sintomas apresentados por mulheres na menopausa, e perda mineral óssea se utilizado por mais de 12 meses. Trata-se de um tratamento temporário (3 a 6 meses) enquanto a mulher está aguardando e se preparando para o tratamento cirúrgico.

5. Medicações antifibrinolíticas – não tratam os miomas, mas reduzem o sangramento em 30 a 55%.

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico pode ser recomendado para a melhora a longo-prazo dos sintomas de sangramento e dor. Em outros casos, os procedimentos cirúrgicos são realizados na tentativa de tratar infertilidade. Vários são os tratamentos cirúrgicos disponíveis:

1. Histerectomia – remoção cirúrgica do útero através do abdome ou da vagina. Pode ser o tratamento de escolha para as mulheres com a prole definida, para as não interessadas em outros tratamentos cirúrgicos e para as portadoras de sintomas severos ou recorrentes após cirurgias menos invasivas. A remoção dos ovários e do cérvice (colo uterino) não é necessária para o alívio dos sintomas.

2. Miomectomia – remoção cirúrgica do mioma. Pode ser realizada por laparotomia (grande incisão na parede abdominal) ou por laparoscopia (várias incisões pequenas na parede abdominal). Se o mioma é submucoso, a miomectomia histeroscópica (por via vaginal, através do colo uterino) pode ser recomendada.

Há um risco significativo de recorrência dos miomas. Cerca de 10 a 25% das mulheres submetidas a miomectomia necessitarão de uma segunda cirurgia.

3. Ablação endometrial – destruição do endométrio utilizando calor pela inserção de uma sonda através da vagina e do colo uterino.

4. Embolização uterina – um pequeno cateter é inserido em um vaso calibroso na região inguinal e é progredido até um vaso próximo ao mioma. Pequenas partículas são liberadas no vaso, ocluindo a vascularização ao mioma. No pós-operatório, a dor é moderada a severa e cerca de um terço das mulheres faz febre. Aproximadamente 20% das mulheres necessita de um segundo procedimento (histerectomia, miomectomia, nova embolização) para controlar os sintomas.

 

ESCOLHA DO TRATAMENTO

Vários fatores influenciam a escolha do tipo de tratamento para cada mulher. Um dos mais críticos fatores é o desejo ou não de futures gestações. Embora a histerectomia ofereça excelente melhora dos sintomas, uma mulher que deseje engravidar no futuro deve considerar a realização de uma miomectomia. Uma mulher com a prole definida, mas que não deseja realizar histerectomia, pode considerar a embolização uterina, a miólise e a ablação endometrial.

Naquelas pacientes com indicação de histerectomia, temos preferido a realização por laparoscopia, uma via de acesso alternativa à cirurgia aberta que permite uma melhor visualização das estruturas pélvicas, menor dor no pós-operatório, melhor efeito estético, recuperação mais rápida e retorno precoce às atividades habituais e ao trabalho.

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